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Movimentos de Reiki num período de priorização da saúde

Atualizado: há 6 dias


Por si o Reiki é uma prática que pode ser realizada à distância, tanto para atendimentos quanto para as iniciações. No entanto não é desta premissa que parto para esta conversa. Isso seria apenas utilitarismo. E tudo bem em ser. Observamos algo que nos é útil e ok, escolhemos o que fazer com isso. O que nos é útil nos é importante, pois facilita, favorece. Mas podemos ir à diante.

No sentido de seguir com processos de ensino e aprendizagem, de trocas e aprofundamento em Reiki, assim como mantermos práticas energéticas em algum movimento coletivo, trago para essa conversa alguns insights e talvez formas, estados de ser que entendo como interessantes e que podem se nutrir dos pressupostos do Reiki.

Há tempo que nossa vida coletiva vinha setorizada. Nossos microuniversos nos pediam comportamentos específicos. Você na academia era um ser, no supermercado era outro, no trabalho mais um, em casa, um microssistema, mesmo não compartilhando a casa com mais ninguém, e assim por diante. Isso nos trazia a facilidade do exercício de sermos alguma dimensão nossa em períodos de tempo e espaço organizados.

Tempo...

No entanto, estávamos pautados principalmente pelo tempo do trabalho. E aqui estamos falando de uso novamente. Como eu usava o meu tempo.

Espaço...

E este ser que trabalhava também tinha lugar definido e uma norma bem clara não sendo harmonizável de modo geral com outros aspectos nossos.

Tempos e espaços bem definidos.

Proponho falarmos de: a que servia meu tempo. Não para mim diretamente, mas ao que eu produzia, sendo o trabalho algo nem sempre tomado com leveza e um importante aspecto de expressão do meu ser que se dispunha em lugares e horários bem delimitados.

Em alguma medida sempre foi mais fácil conciliar o ser-estar-no-cinema-sendo-pai-ou-mãe-e-até-os-dois-ao-mesmo-tempo-sendo-amigo-aproveitando-e-indo-no-supermercado-e-dando-uma-passada-na-casa-dos-cumpadres-na-volta-e-apresentando-os-amigos-que-estavam-no-cinema-conosco-e-vendo-que-os-cumpadres-não-esperavam-mais-gente-para-o-café-abrir-nossas-compras-que-eram-para-nossa-casa-e-oferecer-algo-para-este-momento. No entanto, era inadequado tentarmos conciliar quaisquer coisas que não nosso ser trabalhador no período de trabalho. Nossa neutralidade, metas, profissionalismo não permitiam. Com sorte nossa mesa de trabalho tinha espaço para um porta-retrato. Também tratávamos de conseguir configurar à duras penas o fundo de tela do computador, retirando a logo da empresa à tapa e colocando alguma imagem mais pessoal.

Que coletivo é esse que criamos e o que nele nos acolhia? Dá para me devolver meu território seguro de ser e estar de novo?

Você quer isso mesmo? Daquele jeito? Bem assim?

Grande parte da nossa confusão neste momento não se deve ao fato de necessitarmos de cuidados específicos com uma pandemia. Isso é olhar apenas para o externo – lá fora tem uma pandemia. Deve-se sim ao fato de que nosso ser saudável, assim como nosso ser pai-mãe-amigo-cumpadre-gostador-de-cinema nunca foram priorizados. Notem, me refiro ao nosso ser saudável – aqui olhamos para dentro.

Em qual dia que você ligou para seu local de trabalho e disse: vou ficar em casa hoje, pois estou me sentindo muito bem e o meu bem estar contribuirá para que algumas pessoas que estão menos saudáveis que eu possam se manter em saúde, por este motivo vou seguir sendo exatamente quem eu era, produzindo as coisas que eu produzia, mas de casa?

Ou, qual dia você deixou uma mensagem automática no telefone de sua empresa, ou uma postagem no Instagram indicando que escolheu priorizar a saúde seja lá de quem, a sua ou dos demais, naquele dia, por isso os serviços estariam com rotina modificada, mas ocorrendo ainda assim, necessitando apenas de alguma adaptação e boa vontade coletiva?

Ou, em que momento você e sua classe de trabalho se viram às voltas com aspectos degradantes à vida que os fizessem pensar e até mesmo gritar coletivamente por condições mínimas de trabalho e direito à saúde de modo tão claro?

O que mudou imensamente foi apenas isso, na prática: Alguns cuidados preventivos que não priorizávamos e um território existencial novo (habitado de saúde, invadido, na verdade) para trabalhar, principalmente. Vivíamos no limite de uma rotina extenuante. Isso nos confundiu muito. De fato, gripes, ou estados de saúde sem nome sempre existiram, o que não existiam eram algumas dimensões dos nossos seres que eram habitados por supostas gripes ou pela iminência delas como algo de grande risco para todos os seres humanos do planeta. Veio para frente a dimensão de saúde. Veio como premissa o cuidado consigo para poder cuidar do outro, sendo este sentido claramente uma coisa só. A serviço do que você está hoje, seja por escolha ou por necessidade?

Por favor: pare uns segundos e deixa essa pergunta circular. Não precisa tentar responder. Só deixa ela reverberar um pouco devagar… A serviço do que você está hoje, seja por escolha ou por necessidade?

Por serviço, entenda-se simplesmente exercício e desempenho de qualquer atividade muito mais do que um sinônimo de trabalho-sustento.

Por hoje, entenda-se agora, presença, instante.

Por escolha, também de modo simplificado, predileção, preferência que se dá a alguma coisa que se encontra entre outras.

Por necessidade, a qualidade do que é necessário, ainda, o inevitável, o que não se pode evitar, sinônimo também de carência, falta.

Então, a serviço do que você está hoje, seja por escolha ou por necessidade?

A resposta tem uma dimensão singular que nos levaria a muitos universos se pudéssemos acessar o pensamento de todos que aqui estão nesta conversa, mas tem uma dimensão coletiva que nos cerca e nos leva a alguma convergência na resposta. Saúde. Estamos diante de um momento que podemos desfrutar de muita aprendizagem sobre nosso sentido de existência. Crises coletivas nos trazem essa beleza. E a nossa crise é de saúde. Coletiva.

A questão é: Saúde para quê? Também, para quem?

Aquelas crises que vivemos e sentimos como que se estivéssemos sozinhos trazem a mesma potência de aprendizagem, a diferença é que nos empequenamos por nos entendermos como seres problemáticos, assumindo um senso de inadequação como se dificuldades extremas não fizessem parte do nosso estar humano, do nosso ser humano. Quando dificuldades de relacionamento conjugal ou de trabalho se agudizam, ou quando dificuldades financeiras significativas passam pelas nossas vidas... Ainda, simplesmente quando processos naturais se colocam como grande sofrimento: a experiência de sairmos da adolescência para a vida adulta, a morte de alguém a quem guardamos profundo afeto, a chegada da aposentadoria.

A beleza de uma crise coletiva é que ela nos autoriza a estados de ser potentes de modo mais fácil do que uma suposta crise “individual”, mas para isso precisamos nos entender em coletivo. Estamos fazendo isso. Por escolha ou por necessidade.

Em ambientes coletivos nos é proibido circular sem máscara. [Como se antes não levássemos nossas máscaras, mas tudo bem, não vamos perder o fio desta meada aqui. Nossas máscaras, nossas defesas que servem ao modo de ser inventado para proteção do nosso ego são outro assunto... nem tanto, mas ok.] E o uso de máscara não é porque alguém está preocupado contigo. É pelo coletivo. Torna-se uma medida de obrigatoriedade pelo fato de algumas pessoas dispensarem a si o próprio zelo, mas ao outro não lhe é permitido negligenciar. E esta crise nos trouxe uma dupla oportunidade: Entender a mim e ao outro como um ser saudável, mas também nos deslocou radicalmente dos nossos modos de ser-produtivos de forma que estamos todos desterritorializados ao mesmo tempo e isso tem um enorme potencial criativo.

E o Reiki com isso?

Sempre foi muito necessário “construir” alguns conceitos para iniciarmos conversas, atendimentos e estudos de Reiki. Isso marcou a história do Reiki no Ocidente e ainda hoje, 100 anos depois, é muito difícil simplesmente sair falando sem retomar alguns pressupostos por serem eles “estranhos” aos nossos hábitos, embora tão comuns em práticas orientais. Isso ocorre, seja em momentos em que estou com colegas, partilhando conhecimento ou a própria prática, seja oferecendo Reiki a alguém, ou no lugar de quem ensina.

Reafirma-se muito sobre a respiração, por exemplo. Em toda sessão é necessário lembrar ao consulente para respirar. Em todo encontro entre praticantes iniciamos silenciando e respirando. Para iniciar pessoas em Reiki dedica-se à respiração um lugar destacado também.

A prática da respiração é algo corriqueiro e que talvez nem possa figurar como aquelas coisas que enquadramos como senso comum, pois nem precisamos de muito senso para fazer isso, nem mesmo de um que nos seja comum, por ser um fenômeno corporal de ordem natural e um processo que o corpo faz sem que seja necessário pensar sobre isso, ou ter um entendimento coletivo sobre, considerando que é um processo individual, assim, pode parecer estranho dedicarmos tanto cuidado a essa prática.

Uma das coisas que modifica muito com o Reiki é o uso da nossa consciência. Procuramos saber o que estamos fazendo, intencionando a cada momento e isso inclui nossos atos e respirar é um deles.

Da mesma forma, procuramos nos cuidar. Para isso é necessário um grande esforço cognitivo inicialmente, emocional e afetivo mais profundamente, para a aprendizagem do cuidado consigo. Após isso aprendido, fica possível o aprofundamento energético e a partilha do Reiki com outras pessoas.

Essas duas premissas não são exclusividades e grandes invenções do Reiki. Respirar e cuidar-se são pressupostos de saúde e são presentes em muitas práticas como metodologia, sobretudo nas Orientais. Sim, metodologia. É necessário que aprendamos a respirar. São estes os pressupostos de saúde. Mas no Ocidente também não é assim? É, tanto que estamos convidados a respirar e entendendo sobre a organização sistêmica do nosso corpo a fim de garantir alguma humanidade, digo, imunidade. *** humanidade foi palavra que veio em associação livre... digitei humanidade, quando pensava em imunidade. Fez emergir o que de coletivo há em nossa imunidade-individual neste momento.

Vamos ficar com isso reverberando então... um convite para respirar nossa humanidade!

Klayne faz Movimentos de Reiki.

Apenas movimento. Energia, fluxo, cuidado, intenção e expansão.

A abrangência de cada movimento se faz no interno de cada um.

Estados de consciência partilhados.

Klayne Leite de Abreu

Terapeuta


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